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Dra. Dayse Cury fala sobre cuidados com lentes de contato

“A lente de contato é um recurso maravilhoso da vida moderna, mas, para um uso seguro, é imprescindível que, inicialmente, os candidatos ao uso sejam submetidos a um exame oftalmológico completo”. Quem avisa é a médica oftalmologista Dra. Dayse Cury de Almeida Oliveira, que é professora-adjunta de oftalmologia da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, onde se graduou e obteve os títulos de mestra e doutora. 
Apesar de exigir uma série de requisitos, como instruir o paciente na colocação, remoção e cuidados, além do fornecimento de assistência no período de adaptação, o uso de lentes tem uma função e eficácia em diversas situações que a maioria das pessoas desconhece. Uma delas é a anisometropia, quando os pacientes geralmente não toleram, porque a diferença nos graus entre os dois olhos é muito grande (geralmente acima de três graus) e não permite uma visão adequada com os óculos devido à diferença no tamanho das imagens. Também há indicações médicas ópticas, quando o paciente não obtém boa visão com o uso dos óculos, conforme observado nos casos de astigmatismos irregulares, assim como nos  traumas com defeitos na face, impossibilitando uso de óculos. A lente de contato também é usada para aliviar a dor em diversas enfermidades que afetam o tecido corneano e para promover a recuperação do epitélio corneano nos primeiros dias após as cirurgias refrativas. Confira mais informações com nossa entrevistada, que é doutora em oftalmologia pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, onde leciona como professora-adjunta, e tem especialização em retina e ultrassonografia ocular pela Unifesp. Ela também coordena o ambulatório do Hospital Humberto Castro Lima/Instituto Brasileiro de Oftalmologia e Prevenção à Cegueira (IBOPC). 




























- Em que casos se recomenda o uso de lentes de contato? Isso depende do grau, do tipo de problema oftalmológico, ou todos podem usar?

Dra. Dayse Cury de Almeida Oliveira - A lente de contato é um recurso maravilhoso da vida moderna, mas, para um uso seguro, é imprescindível que, inicialmente, os candidatos sejam submetidos a um exame oftalmológico completo. Somente após o exame ocular é que poderemos avaliar a real indicação para o uso das lentes, bem como verificar se há alguma contraindicação que interfira no seu uso. É necessário instruir o paciente na colocação, remoção e cuidados com as lentes e fornecer completa assistência no período de adaptação. E, baseado no exame, saberemos qual a melhor lente para cada caso. As principais indicações para uso de lentes de contato são: estética (correção de miopia, hipermetropia e astigmatismo), cosmética (as lentes coloridas, com ou sem grau, quando o paciente deseja modificar a cor dos olhos, ou em caso de defeitos do segmento anterior do olho, aniridia, afacia, leucoma corneal, entre outros), intolerância ao uso de óculos (portadores de anisometropia não toleram quando a diferença nos graus entre os dois olhos é muito grande, geralmente acima de três graus, e tendem a perceber diferença no tamanho das imagens, o que não ocorre com o uso das lentes de contato). 

- Existem outras indicações específicas?
Dra. Dayse Cury de Almeida Oliveira -
No caso de presbiopia (dificuldade visual para perto, geralmente a partir dos 40 anos de idade), caso o paciente não deseje utilizar óculos para perto, o uso de lentes de contato indicado é a monovisão, quando as lentes de contato são usadas com um olho focalizando para longe e o outro para perto, ou pode-se indicar o uso de lentes de contato bifocais ou multifocais. Ainda é possível o uso da técnica de monovisão modificada, quando é usada lente de contato multifocal em apenas um dos olhos, com o outro olho em uso de lente de contato com foco para longe. Também há indicações médicas ópticas, quando o paciente não obtém boa visão com o uso dos óculos, como nos casos de astigmatismos irregulares e traumas com defeitos na face, impossibilitando o uso de óculos. O uso de lentes também está indicado nas ulcerações, nos procedimentos cirúrgicos como em paciente operado de catarata num dos olhos e não recebe o implante do cristalino, ficando, como consequência, com 10 a 15 graus de hipermetropia no olho operado. Se lhe receitarmos óculos com diferença de grau muito grande em cada lente, ela jamais conseguirá juntar as duas imagens no cérebro. Temos também as distrofias (ceratocone) e alterações dos movimentos oculares (nistagmo). Além da vantagem estética, as lentes de contato podem substituir os óculos com algumas vantagens ópticas, pois fornecem uma visão mais natural (causando menos distorção no tamanho das imagens) sem alterar a percepção do campo visual.

- Qual o melhor tipo de lente, as flexíveis ou as rígidas (ainda existem?)?
Dra. Dayse Cury de Almeida Oliveira -
Atualmente, existem lentes de contato rígidas, hidrofílicas e mistas, muitas vezes chamadas de híbridas. As rígidas são feitas de polimetilmetacrilato, mas existem também as fluorcarbonadas e as siliconadas (estas, confeccionadas com materiais rígidos gás-permeáveis, permitem maior permeabilidade ao oxigênio). As lentes rígidas são mais duráveis, mais fáceis de limpar, corrigem quase todos os tipos de grau. Entretanto, podem ser desconfortáveis durante o período de adaptação e são mais fáceis de se deslocarem. As hidrofílicas são conhecidas como lentes gelatinosas, que são confeccionadas de vários materiais. São confortáveis desde o primeiro dia de uso e raramente se deslocam, porém proporcionam menor nitidez em alguns tipos de astigmatismo e apresentam maior facilidade para formação de depósitos, contaminações e infecções (sua limpeza deve ser mais rigorosa). Por outro lado, o conforto das gelatinosas é cada vez maior e sem dúvida responsável pelo grande número de usuários. Houve também um grande avanço nas lentes gelatinosas especiais para correção de astigmatismo (tóricas) e de presbiopia ou vista cansada (multi ou bifocais). Apesar de muitos não saberem, as lentes rígidas são mais fisiológicas que as gelatinosas, causando, portanto, menos complicações. Além disso, do ponto de vista óptico, as lentes rígidas possibilitam melhor qualidade de visão. Isso se torna mais evidente nos casos em que a superfície da córnea é irregular (como nos casos de ceratocone, após traumas, úlceras ou cirurgias), pois, para essas pessoas, a lente rígida pode ser a única opção para se alcançar uma acuidade visual satisfatória.

- E as lentes descartáveis?
Dra. Dayse Cury de Almeida Oliveira -
As lentes ainda podem ser descartáveis (de troca diária, semanal ou mensal) ou convencionais (de troca anual). A rigor, o uso descartável das lentes significa que, após serem usadas continuamente por determinado período de tempo, são descartadas (sem serem recolocadas nos olhos), porém muitas vezes as lentes descartáveis são usadas na forma de troca planejada (quinzenal ou mensal). O ideal é que, antes de usar as lentes, o paciente passe por uma avaliação oftalmológica. Somente após um exame detalhado é que poderemos avaliar a real indicação para o uso das lentes, bem como verificar se há alguma doença ocular em atividade que contraindique ou mesmo interfira no seu uso, e, baseado no exame, saberemos qual a melhor lente para cada caso.


- Quais os principais cuidados que se deve ter ao colocar e remover lentes?
Dra. Dayse Cury de Almeida Oliveira -
Antes de manusear as lentes, sempre lave bem as mãos e enxugue-as com uma toalha que não solte fiapos; ao colocar e retirar lentes, para evitar troca, siga sempre a mesma sequência: primeiro a do olho direito e depois a do olho esquerdo e manipule-as sobre uma toalha limpa para evitar contaminações ou perdas; antes de colocar as lentes nos olhos, enxágue-as e coloque-as imersas no estojo com a solução indicada por, no mínimo, seis horas; não use água ou soro fisiológico, use apenas a solução indicada para enxágue das lentes de contato; caso use maquiagem, coloque ou tire as lentes anteriormente. Ao colocar as lentes nos olhos (ou durante seu uso), caso sinta desconforto, retire-as e enxágue-as com a solução indicada e coloque-as novamente nos olhos. Caso não melhore, verifique se as lentes estão do lado avesso ou danificadas. Caso perceba que as lentes estão danificadas, não as coloque novamente nos olhos e entre em contato com seu oftalmologista. Durante o uso das lentes, pingue regularmente nos olhos o colírio lubrificante indicado; lave semanalmente o estojo com água quente, deixando-o secar no ar. Estudos apontam que complicações nos olhos, como úlceras de córnea ou infecções graves, foram causadas pelo micro-organismo presente no estojo aonde se guarda a lente.

- Pode-se usar por quanto tempo, sem intervalo?
Dra. Dayse Cury de Almeida Oliveira -
É preciso seguir as instruções quanto ao tempo correto de uso: inicial com quatro horas de uso no primeiro dia e aumentar uma hora por dia; após a primeira semana, fazer o uso diário (até 15 horas). Durante o período de adaptação, é necessário retornar para as revisões com as lentes colocadas no período de três horas antes na primeira e na terceira semana (ou antes, caso seja necessário). Após o período de adaptação, as revisões deverão ser semestrais (ou antes, caso seja necessário); as lentes recebidas deverão ser trocadas de acordo com as orientações médicas (por exemplo, não mergulhar em praias ou piscinas com lentes; não usar as lentes em caso de irritação nos olhos; em caso de olho vermelho, dor ocular ou embaçamento visual, retirar as lentes dos olhos e, caso não haja melhora, procurar logo seu oftalmologista). A limpeza e desinfecção das lentes são fundamentais logo após o uso, sendo feita com soluções específicas para cada tipo de lente. 

- Mas existe um tempo máximo para se usar as lentes?
Dra. Dayse Cury de Almeida Oliveira -
A capacidade de uma lente de contato transportar oxigênio do ar para a córnea é o que determina o número de horas de uso. Esse tempo não é igual para todos, devido às diferenças individuais influenciadas pela qualidade e quantidade do filme lacrimal. O acompanhamento de adaptação pelo oftalmologista pode determinar o tempo de uso permitido para cada usuário.

- Muitas pessoas usam lentes de contato coloridas por diversão ou vaidade. Quais os principais riscos?
Dra. Dayse Cury de Almeida Oliveira -
A lente estética envolve todos os riscos e benefícios de uma lente não estética e incolor. O benefício de uma lente incolor é melhorar a visão e, o de uma lente colorida, é melhorar a estética. Porém, as lentes coloridas estão sujeitas às mesmas complicações de lentes incolores, como úlceras de córnea, traumas oculares, lesões e até perda de visão. Mesmo que não tenham grau e atendam só uma indicação estética, devem ser adaptadas aos olhos do usuário por um médico e requerem controle especializado.

- É verdade que as lentes coloridas, no entanto, são utilizadas de forma terapêutica, para quem tem lesões na íris ou estrabismo?
Dra. Dayse Cury de Almeida Oliveira -
As lentes de contato cosméticas podem ser utilizadas em casos de recobrimento de cicatrizes, cataratas hipermaduras sem indicação cirúrgica, aniridia congênita ou traumática. As lentes cosméticas podem ser classificadas em gelatinosas (filtrantes ou translúcidas, que permitem a passagem da luz), pintadas (opacas e semiopacas, que apresentam a íris pintada e, em alguns casos, também a pupila), esclerais (que recobrem a córnea, o limbo e parte da esclera e podem ser pintadas ou transparentes), corneais (rígidas, de grande diâmetro, que recobrem toda a córnea) e as protéticas (que recobrem a córnea e a esclera, têm espessura maior que as lentes esclerais e são utilizadas para cobrir desfigurações do globo ocular).

- Sobre o uso de “olhos de vidro”, que tipo de artefato é utilizado no caso da pessoa que perdeu a visão de um dos olhos por acidente? 
Dra. Dayse Cury de Almeida Oliveira -
Após a perda do globo ocular, há a necessidade de manutenção da integridade da anatomia com implantes que substituam o olho para dar forma e volume. Existem diversos tipos e modelos de implantes orbitais. Entre os diversos tipos de implantes sugeridos, a Esfera de Mules de acrílico ainda permanece como mais utilizada, porém cresceu a preferência pelos implantes integrados de hidroxiapatita natural e por seus sucedâneos de biocerâmica ou de polietileno poroso. Esses implantes possibilitam maior mobilidade da prótese e apresentam um menor índice de rejeição, devido à vascularização completa do implante que se realiza por dentro de seus canais naturalmente interligados.